quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Confissão

Fui informado que o meu último post era um plágio ( Chat avec le psiquê ). Plagiei inconscientemente o filme 'Ilha do Medo' do Scorcese. Sinto muito por isso já que nesse mundo tudo se cria do nada e eu cometi essa falha de não lembrar que essa história que vinha em minha cabeça se embasava exatamente em outra que havia assistido a algum tempo. É claro que meus milhões de leitores pelo mundo (sic) iriam ficar revoltados então escrevo essa confissão. Peço para que me julguem da forma mais cruel o possível, pois nunca, jamais alguém cometeu algo tão cruel.

Chat avec le psique


- Bom dia Leandro.
- Bom dia doutor
- Leandro, você se lembra o porquê de estar aqui hoje?
- Seria por algo que comi?
- Pare com isso, você lembra onde está a sua família?
- Pelo que me lembro foram tirar férias, mas não sei ao certo onde...
- Quando foi a ultima vez que os viu?
- Ontem mesmo, minha mãe estava cuidando do cabelo de minha irmã.
- Lembra de mais alguma coisa?
- Só que eles não estavam muito satisfeitos, mas por que você está me perguntando essas coisas?
- Por que você não está colaborando comigo.
- Então quer que eu colabore como?
- Apenas me diga o que tem feito nesses últimos dias.
- Tenho feito coisas normais, ido dar minhas aulas, tenho pedalado pouco nos últimos dias, mas tenho jogado muito xadrez com um amigo.
- Quem é esse seu amigo?
- O Carlos, ele é um cara legal... Tem uma loja legal...
- Leandro, tenho que ser sincero com você, você deve saber o motivo que o traz aqui hoje e todos esses dias.
- Qual é então?
- Sua família morreu há cinco anos, ninguém sabe o que aconteceu, te encontraram junto a seus corpos mutilados, aparentemente você estava em choque. Tudo o que queremos é saber o que aconteceu. Aqui é um hospital psiquiátrico, você não tem contato com ninguém exceto comigo há 2 anos, desde quando passou a ser violento.
- Sério mesmo?
- Sim, você tem imaginado tudo... Criado uma outra realidade com personagens e tudo mais. Ninguém conhece a sua família, ninguém realmente sabe de onde veio, porque estão todos mortos, você não tem amigos. Sua mente está doente.
- Se minha família morreu, por que falo com eles todos os dias? Se não tenho amigos com quem jogo xadrez sempre? Se estou preso em um hospício por que saio pelas trilha a pedalar de vez em quando?
- Tudo isso é fruto da sua imaginação limitada à ilusão.
- Se isso tudo é fruto da minha mente “doente”, você também pode ser, assim como todas as outras personagens. Posso simplesmente acordar e voltar à outra realidade.
- Leandro você não está evoluindo no nosso tratamento.
- Não evoluo por quê? Minha mente é livre e você tem inveja, pois vive preso a uma realidade apenas e diz que a minha mente que é limitada.
- Não é isso, você tem que aceitar que sua família está morta e que...
- Mortos para quem? Aquilo só foi um pesadelo, assim como esse.
- Leandro, vamos ter que fazer um tratamento que...
- Então faça logo, já não me importo... Essa conversa nunca existiu mesmo.
- Existiu sim Leandro, aceite a realidade.
- Aceito a realidade que prefiro, me leve de volta o Carlos está me esperando.

"Diálogo"

- Ei, gosto de ti
- Eu também gosto de ti
- Mentira, se tu gostasses de mim saberias que estás a magoar-me todas as vezes que sais com aquele gajo.
- Desculpe-me, mas aquele gajo é meu namorado, saio com ele sempre e ...
- Dissestes que gostas de mim, não me amas?
- Gosto, amar-te já seria demais.
- Mas sabes que sou assim, se falo que gosto é porque amo e se amo quero ter-te como minha namorada.
- Olhe aqui, sou livre, não amo pessoa alguma, apenas as tenho por perto, pois preciso delas. Deixe de ser idiota e passe a ser inteligente.
- Então não amas nem a teu namorado?
- Por que deveria amá-lo, ele atende a minhas necessidades, me acompanha e age comigo de forma a me fazer bem... isso já é o suficiente. Não desejo casar-me com ele, apenas o usarei enquanto me for agradável.
- Tu deverias envergonhar-te.
- Por que motivo?
- Ele te amava.
- Amava?
- Sim, mas agora ele não tem mais coração para isso... Inclusive tinha gosto de frango.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Barbeiro"

O barbeiro Antônio que morava perto da minha casa era conhecido em toda a cidade como o melhor barbeiro da região. Pessoas vinham de todas as cidades vizinhas só para prestigiar seu talento com a navalha. Ele teve uma esposa muito amável que deu a ele três filhas lindas. Infelizmente o barbeiro Antônio teve que criar sozinho suas filhas, já que sua esposa havia falecido por conta de uma inflamação cutânea mal tratada, que também vitimou um vizinho meses antes.
Extremamente religioso Antônio ia sempre à missa de domingo e fazia questão de levar suas filhas junto a ele. Era lá na igreja que o “Tonho”, como era conhecido pelos amigos mais próximos encontrava pessoas diferentes e fazia novas amizades. Coisa rara, já que  era muito fechado e procurava zelar por sua personalidade discreta. Estava quase sempre com o mesmo terno azul marinho, que sua esposa havia lhe dado de presente meses antes de morrer. Cuidava daquele terno como nada na vida, a não ser sua navalha, ferramenta de trabalho. Sempre que o traje se apresentava um pouco descorado ia ao armarinho comprar corante no mesmo tom e tratava de recolorir a peça.
Este presente que tanto cuidava e fazia questão de exibi-lo ao público foi comprado na loja de seu vizinho, o falecido. Sua esposa o havia encomendado e sempre que podia passava na loja para verificar se estava pronto, era muito perfeccionista. Foram cinco meses para a entrega do presente, que não se sabe de quê, já que não era nem aniversário do barbeiro ou qualquer outra data festiva quando foi entregue. Antônio dizia que se tratava da boa fé de sua amada, que tanto o amava a ponto de não haver motivos para presenteá-lo.
Não me lembro muito de sua esposa, eu era muito novo quando ela morreu, mas lembro que era muito religiosa. Apesar disso não freqüentava tanto a igreja quanto seu marido, mas estava sempre rezando. No seu velório as pessoas falavam muito, mas pouco me lembro dos motivos, sei apenas que Antônio não chorava. Ele devia estar conformado com sua fé, já que parecia estar rezando o tempo todo, falando baixinho.
Há cerca de um ano chegou a nossa cidade um circo, o fantástico circo imperial japonês. Foi uma febre, todos iam menos eu. Todas as tardes quando não tinha muito o que fazer e ia jogar conversa fora na barbearia, lá eu ficava sabendo do que acontecia no circo e matava minha curiosidade. Lá também fiquei sabendo do flerte que mudara a vida de Antônio para sempre, pois não era só o circo que viera a nossa cidade naquele tempo.
Lídia chegou na cidade não se sabe de onde, conheceu Antônio na saída da missa de domingo. Chovia muito e por isso o barbeiro lhe deu uma carona até o hotel onde se hospedara. No caminho sua filha menor, um ano mais nova que a do meio e dois que a mais velha, um anjo, a chamou para almoçar com a família. Naquela saia justa causada pela filha o pai não via outra situação se não reforçar o convite. Depois deste vieram outros poucos antes de assumirem o noivado e se casarem rapidamente. Quatro meses depois. Muito se falava sobre isso, mas na época não me preocupava tanto, preferia assuntos sobre bicicletas, dão muito menos trabalho que as mulheres e se nos derrubam as cicatrizes ficam legais para serem exibidas.
Pouco antes de casar, muita coisa já havia mudado na vida de Antônio. Sua barbearia evoluíra completamente, sua aparência seguiu o mesmo caminho. A agora “tony’s barbershop” era referência na região. Até o comércio próximo evoluiu seguindo a tendência e assim todos ganharam. Mesmo quando a concorrência não é pela clientela ela se faz pela atenção. Aquela rua se transformou, a cidade teve que acompanhar e até a administração pública teve que dar seus pulos para acompanhar o progresso.
Mas uma coisa não mudou, seu Antônio continuava usando a mesma navalha de sempre, quanto a isso Lídia não interferira, se preocupava mais em faturamentos e investimentos. Ela dava tanta atenção aos novos clientes que logo era mais popular que seu marido. Já havia até conseguido liberar as três meninas para namorar. E isso aconteceu rápido. Rápido também vieram os problemas, pois agora era muita gente para Antônio barbear. Trabalhava muito, tanto que domingo já não tinha mais ânimo de ir à igreja. Sua navalha começava a reclamar de tanto trabalho e passou a ferí-lo. sede.
Para ajudá-lo Lídia chamou para trabalhar na barbearia um jovem conhecido seu que morava na região, viera logo, mas não adiantou muito, não tinha talento. Antônio devia ensinar tudo a ele, que não saia de sua casa. Acabou mudando-se para lá, a casa ficava atrás da barbearia. Sua nova esposa o tratava como se fosse da família.
Aos domingos as meninas passaram a ir à lagoa da cidade, acompanhadas por seus namorados e sob supervisão de seu pai. Mas o velho Antônio já não agüentava o ritmo imposto por suas filhas e deixou-as sob os cuidados da madrasta. E isso é tudo o que eu fiquei sabendo pela filha mais nova, um primor de garota. Ela disse que o jovem ajudante do pai passou a freqüentar a lagoa aos domingos com a família.
Um dia fui ao “tony’s barber shop”, minha barbicha precisava de reparos, mas não me sentia muito confortável. Seu Antônio não estava com a mesma energia de antes. Tentei puxar assunto várias vezes, mas ele não dava seqüência às minhas frases. Então ele me propôs que eu acompanhasse sua filha mais nova, uma princesa, em uma viagem. Fiquei surpreso, não havia precedente para aquilo e também não entendia o motivo, já que ela tinha um namorado, mais velho, bem mais velho, e além de tudo aparentemente bem de vida, um ótimo partido. Já eu, pobre, magro, ciclista, e feio não tinha predicados consideráveis para aceitar aquela proposta. Mas aceitei. É claro se fosse de acordo com o desejo da filha dele, um desejo.
A encontrei no local, data e hora marcada por Tonho. Ela chorava muito, eu não entendia nada, fui fazer a barbicha e ganhei uma viajem de fim de semana com acompanhante, chorosa, mas era linda assim mesmo. No ônibus me perguntou se eu aceitaria ir com ela para onde fosse para fazer o que quer que fosse. O papo ficou bom. Disse que sim, então ela pediu para descer do ônibus e voltou para casa. E eu atrás. Já era noite. As luzes apagadas. Pediu para que eu não fizesse barulho e me deixou esperando na sala escura. Disse que não queria acordar a família. Eu aceitei.
Sentei-me no sofá. Não via muita coisa a minha frente ou em qualquer direção, apenas brilhos na penumbra. Pouco tempo depois  ouvi passos, falas confusas, gritos sufocados e silêncio. Pensei em ir atrás dos sons, saber o que estava acontecendo, hesitei por algum tempo. Comecei a sentir um frio estranho, meus olhos já se acostumavam com a escuridão, mas mesmo assim não via nada. Tive medo do que podia estar acontecendo e resolvi fazer algo. Agachei-me e pequei um objeto que estava sobre a mesinha da sala. Não segui meus instintos. Queria ter saído daquela casa, mas algo me levava cada vez mais para dentro, parecia que um campo magnético me sugava. Fui tateando as paredes. Abri uma porta pesada de madeira, devia ser bonita, pois senti seus detalhes bem esculpidos. Sobre a cama do casal havia dois corpos nus. Ainda se sentia o cheiro sensual de depravação libidinosa, mas aquele silêncio e frieza gerada pela paralisia dos cadáveres expunham-me a um enjôo eminente. A navalha matara sua sede. Ou não. O quarto ao lado estava vazio, todos estavam reunidos no quarto da filha do meio último do corredor. O pai e as três filhas.
O choro era silencioso convergia à escuridão do lugar. Um pai desgraçado, destroçado e sujo de sangue. Suas filhas se encaravam como em uma despedia. Seu pai, que ignorava minha presença, assim como as outras, confessara sua vingança. Agora a navalha, que se somava a seu braço como a caneta à imaginação do poeta, beberia seu próprio sangue, suas filhas. Primeiro a mais velha, essa era alta, e por isso difícil segurá-la enquanto se debatia como os frangos que via ainda criança ao perderem suas cabeças, mas nesse caso ela seria sacrificada e eu não sabia o porquê. Esvaindo-se em sangue foi sufocada e aos poucos perdendo a força. A do meio ainda estava nua, participou ativa e passivamente da orgia de sua madrasta, essa era mesmo filha de sua mãe, disse o pai antes de atingir sua jugular com sua ferramenta e companheira. Essa chorava, mas não se debateu tanto. Não sei se estava bem amarrada ou o ódio de seu pai a vitimou num instante. Então nesse momento falou com sua filha mais nova, sua flor de lótus. Disse a ela que era pai apenas de uma linda fada. Eu assistia a tudo aquilo com sentimento, mas o frio que sentia me deixava como uma pedra, não entendia nada. Era como se fosse um filme, cinema alemão, mas menos real.
Ela sabia de toda a verdade. Ele levantou a navalha. Ela viu sua mãe morrer. Ele estava ajoelhado a sua frente. Ela o odiava por ser órfã. Ele chorava, mas estava decidido. Ela teceu aquela tragédia. Ele entendia tudo agora. Ela o olhava com desprezo. Ele deu de beber à navalha com seu sangue a última vez. Ela olhou para mim.
Seu pai era alfaiate, ela sabia de toda a história. Desde criança sabia que os fatos a ela apresentados não eram os mesmos que testemunhara em segredo. Com um pouco de influência muda-se o curso da verdade assim como se fosse um rio. Tramou em segredo toda aquela situação, jovem prodígio na arte de tramar. Conhecia seus personagens como peças de xadrez. Jogava com eles visando sua vingança.
Agora eu conhecia a verdade, queria fugir, seu olhar era frio, suas mãos lentas. Apanhou a navalha com lentidão, aproveitava-se de cada segundo. Degustava-os como uma taça de vinho. Sentia um frio no estomago, como se estivesse apaixonado e diante de mim minha musa platônica. E estava. Ela me beijou. Aceitei o destino imposto naquele presente momento. Estava paralisado. Deu de beber à navalha uma vez mais.
30-03-2010

domingo, 2 de janeiro de 2011

Convite para uma viagem muito louca

Olá,
Estou a convidar amigos ciclistas ou não para uma viagem muito louca no carnaval. Para aqueles que não querem ficar ouvindo aquelas mesmas músicas, vendo sempre as mesmas coisas na tevê e preferem curtir algo mais saudável, tendo contato com a natureza, ofereço uma carona em um sonho que nutro desde a primeira vez que fui a São Jorge, Alto Paraíso - GO. Espero iniciar com meus colegas de equipe e outros que pedalam comigo no dia 05 de março, sábado, às 06:00 o caminho para São Jorge de bike. Serão quase 200 km de ida, aproximadamente 8 horas de pedalas e um visual recompensador. Para aqueles que são menos interessados em sofrimento convido para que embarquem na nossa viagem com seus carros, motos, cavalos ou qualquer meio de transporte que tenham a disposição. Se possível gostaria que acompanhassem o pelotão parando em pontos estratégicos, para nos fornecer água e outras bebidas necessárias. Estou programando a volta para o dia 08 de março, terça-feira. espero o apoio de vocês. Por favor comentem ou mandem e-mails. ;)

Obrigado!

bye bye 2010

Hoje, dia 02 de janeiro de 2011, acordei às 11:30 com vontade de escrever aqui no blog. Na verdade já faz um tempo que tenho vontade de escrever, mas não o fiz. Não faltaram motivos para que eu escrevesse, o mês de dezembro para mim foi recheado de surpresas, emoções, descobertas... Enfim, muito material para postar aqui no blog, mas não escrevi nada porque não seria substancial, eu não estava suficientemente substancial.
Sofro de uma espécie de trauma de fim de ano, uma angústia misteriosa aparece a partir do meio de novembro e me acompanha até o réveillon. Não sei explicar isso muito bem, mas é muito intenso. Nesse ano, como em todos os outros sofri deste mal, no entanto tive vários momentos e razoes para esquecê-lo, ou pelo menos suportá-lo... Como eu disse, o último mês do ano 2010 foi incrível.
Ano passado, no princípio, havia me decidido a ser vagabundo, trabalhar pouco... Não pude. Depois de uma ilusão profissional no ano 2009 pensei que poderia viver de maneira diferente. Na verdade consegui mudar meu referente. Mas tudo mudou mesmo no dia 18 de março de 2010, nesta ocasião pela primeira vez entrei no colégio onde atualmente trabalho. Não posso dizer que foi bom no começo, mas depois de um tempo descobri coisas ótimas lá... Experimentei sensações que foram singulares na minha vida profissional. Acredito que isso se deu ao fato de eu ter me deixado levar um pouco mais pelo emocional, não que isso tenha definitivamente interferido no meu trabalho, mas tive um prazer diferente em ir à escola.
Sei que na minha profissão é muito pouco provável que um jovem passional se dê muito certo, enfrentei vários problemas por isso. Mas acontece que mesmo assim sou humano e jovem. Apesar de meu quarto de século de existência, acredito que tenho muito a conhecer sobre mim mesmo. Neste último ano vi que posso ser muito sociável, que não faz sentido me manter isolado e de cara fechada, vi que não sou tão sisudo como pensava, posso fazer coisas loucas também.
Enfim, tudo o que se deu em 2010 para mim não pode ser descrito em um texto somente, me referi aqui apenas aos acontecimentos referentes aos meus novos amigos, alunos e ex-alunos. Também passei por alguns outros dilemas de ordem pessoal, dilemas que me jogaram a polos existenciais de forma que eu não soube me conduzir novamente ao meu eixo. Simplesmente me deixei levar.
Contudo, a dialética se fez mais presente na minha vida este ano, e aprendi o seu valor. Agradeço a meus alunos e ex-alunos por isso. Àqueles que vão seguir suas carreiras, que sejam brilhantes como me mostraram ser. Aos que vão continuar esta jornada, sigam firmes e atentos às coisas que são realmente relevantes, mas não deixem de desfrutar de suas juventudes.
Agradeço a todos meus amigos por me darem a oportunidade de estar com vocês.

domingo, 7 de novembro de 2010

Notificação

Dentro de algum tempo voltaremos à programação normal, no momento desculpe-nos pelos problemas internos.
atenciosamente, o indivíduo bipolar

unforgivable memories

I don't care about what are you going to do next,
even if my feelings are making me surrender
under a depression that I'm not able to be a defender,
but, by the way, your face is all at least.

free my mind! let me go foward,
I'm just tired to live in the past
take out from me all that rests
my heart was stolen and now my mind?

loves, desires, wishes of all types
I gave to you more than my eyes,
but I was inapt to preserve you.

my mistakes took you away from me
this is how life teaches us.
unfortunately, I didn't learn to live without you

Nostalgia angustiante

"So viele Menschen sehen Dich
Doch niemand sieht Dich so wie ich


Denn in dem Schatten deines Lichts
Ganz weit dort hinten sitze ich


Ich brauche Dich
Ich brauch dein Licht
Denn aus dem Schatten kann ich nicht


Du siehst mich nicht
Du kennst mich nicht
Doch aus der Ferne lieb ich Dich"

Tem sido difícil te esquecer. Não falo muito de você, mas seu nome tem ecoado em minha cabeça. Não pelo que vivemos, mas pelo que poderíamos ter vivido se não fosse minha covardia. Isso é normal?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Alguns versos sem nome

Nada se compara
ao seu belo caminhar
ainda menos pobres versos
que não podem te tocar

para resolver este problema
minhas mãos vou usar
e com uma agulha bem pequena
no seu corpo vou tatuar...

mas quem dera ter o talento
para de ti poder roubar
depois de te provar meus sentimentos
uns beijos ao luar

(ok, podem comentar, versos podres)

Beijos, amassos, trocas e carícias.
Com lábios, braços, membros e barrigas.
que será o amor senão pura física?
entre partes, todos, bocados e outras listas?

então, não sentes?
se não te penetram palavras
quem dirá sentimentos?
Acredito que mentiras bem contadas
e verdades mal ditas
fazem parte deste jogo
de intrigas e carícias.

(não foram o que você esperava né?)

Preferes o calor ao frio,
a poesia à prosa,
o rock à bossa, a alegria à fossa.

tens razão nesta joça,
assim como desejo ir à roça,
talvez encontrar outra moça
e quem sabe eu possa
me dar bem nesta bosta

(estava meio puto!)

Quero que estes versos sejam teus,
embora sejam meus
e sei que preferes os seus.

(entenda)

domingo, 24 de outubro de 2010

Chat avec un problème

Tem dias que encontramos adversários mortais em saber. É normal estarmos em situações de perigo, por pura ignorância dos fatos ou de propósito. Quando queremos desafiar o desconhecido estamos aprendendo de forma consciente, e isto funciona. Somos preparados para aprender com as coisas boas ou ruins. Quem nunca usou o exemplo da criança com o dedo na tomada? Por curiosidade, talvez, experimentamos propositalmente coisas pequenas que evitarão grandes erros.
Mas o que mais nos incomoda nesse processo de aprendizagem é o fato de que alguns desafios são surpresas. Somos apanhados assim, no meio da rua, no trabalho, em uma festa de aniversário de criança ou em casa mesmo (navegando pela net) por problemas, ou situações que fogem do nosso controle. Toda hora, estamos de frente para o nosso maior inimigo e não sabemos; o desconhecido. Não me refiro a pessoas, estas são visíveis e podemos imaginar suas limitações; a fala ou ação. O problema do desconhecido é que ele não tem forma, pode vir como pessoa ou pessoas, presentes, coisas materiais ou sentimentais. Esta última é a pior forma de desconhecido.
Como somos vulneráveis aos sentimentos! Eles desafiam a nossa lógica, põem em xeque nossa razão e podem destruir a nossa vida. Mas também, assim como as outras coisas da vida ele nos ensina. Aprendemos a ser mais cautelosos com as pessoas, mas também podemos reprovar na matéria e repetir os mesmos erros. Tudo normal.
Tem gente que não aprende só e precisa de ajuda. Quando esta pessoa é especial para nós, ficamos aflitos, precisamos ajudá-la. Estou assim no momento. Estou me afundando em um poço sem fundo com o objetivo de salvar uma pessoa especial para mim. Este desafio eu escolhi.
Agora, existem pessoas que entram em problemas, sofrem e saem muito bem deles. A estas pessoas eu dou meus parabéns. Quero ser assim quando crescer. Ainda estou na fase de encontrar problemas e ser derrotado, ou repetir erros. Mas isso tudo é normal. O que importa é evoluir!
É importante reconhecer nossos inimigos, eles podem estar bem perto, dentro de nós e não sabemos. Ou melhor, (amo alternativas incomuns) podemos brincar com nossos adversários, sorrir para eles e criar um possível ambiente imaginário para enviá-los. De vez em quando ir visitá-los seria bom... Sofrer também ajuda.

sábado, 23 de outubro de 2010

Acontece que ao mundo falta leitura e sobra hipocrisia

Sou uma pessoa livre, pago meus impostos, trabalho para me manter. E se há alguém a quem ainda devo alguma satisfação é à minha mãe que está viva e cuidou de mim quando era incapacitado de fazer por mim próprio. Esta é uma dívida eterna que não nego.
Não entendo como as pessoas cismam de querer cuidar da minha vida e da vida das pessoas que estão ao meu redor. Sou bem capaz de cuidar de mim! Nunca pedi ajuda a ninguém para resolver meus problemas particulares, então danem-se! e deixem o nome das pessoas que eu gosto em paz! E se por acaso gosto de alguém, não é da conta destes curiosos e fofoqueiros o nível deste gostar.
Não ligo para as ofensas e injúrias que fazem comigo, se fossem sérias eu ligaria, mas os que fazem isso geralmente as fazem pelas costas. Covardes!
Espero que esta mensagem sirva para quem foi dedicada cada sílaba. Ou se esta pessoa não tiver a capacidade necessária de raciocínio, que me procure, se tiver coragem, e explicarei pessoalmente.

domingo, 17 de outubro de 2010

Calma, calma eu explico.

Pois é, quem me conhece pessoalmente pode achar estranho que depois de tanto tempo sem postar uma foto que seja eu coloque uma mensagem otimista em meu blog... Tudo bem, eu não fui raptado por alienígenas ou coisa do tipo, mas estou em um momento interessante da minha vida pessoal. Não acho incoerente colocar uma mensagem destas, que até gostei de escrever... Pior seria colocar um funk. Aí sim, meus amigos mais próximos poderiam me mandar para o psiquiatra.

Uma mensagem otimista

Primeiro reflita nas coisas do dia de ontem, depois ame ou odeie, passe um tempo refletindo sobre suas ações. As pessoas que gostam de você de verdade não precisam provar nada, só isto basta. Entendi que nada do que eu faço pensando em alguém vai ser meu, mas sim para este alguém. As únicas coisas que realmente são suas são os sonhos. Ninguém tem o poder sobre ninguém e isto é tudo. Ame, sofra, cante, alegre-se, pedale, corra, mas faça alguma coisa; nunca espere que alguém faça algo por você. Se a fraqueza te alcançar, saiba que ela não pode ser mais forte e ainda resta o esgotamento. Nunca desista de nada, eu já desisti e me arrependo muito. Seja melhor que o outro, mas guarde isto contigo. Não deixe as opiniões dos outros te influenciarem, mas não deixe de verificá-las, pois as vezes pode nos poupar horas no analista. Enfim, leia e julgue se vale a pena seguir estes conselhos, não pelo autor, mas pelos sentidos das palavras.

domingo, 27 de junho de 2010

Cabelo, copa e doces

Sabe aqueles dias em que coisas acontecem quando outras deveriam acontecer, mas por causa de certos acontecimentos não acontecerão? Pois é, eu, professor, ia cortar o cabelo em dia de jogo do Brasil na copa do mundo. Alguma seleção sofreria por causa do jogo, mesmo em caso de empate, e eu continuaria cabeludo, mas não insatisfeito.
Para começar, do começo, este dito cidadão, eu, já moro atrás de um salão, que pertence à minha mãe, mas mesmo assim preciso contar com serviços “terceirizados” para resolver problemas capilares. Essa seria a primeira contradição da história. Como sou um professor sisudo geralmente não sou de deixar certas responsabilidades e procedimentos; como nunca sair com um grupo de adolescentes, mesmo que fantasticamente inteligentes e interessantes, que sejam meus alunos, para assistir a um jogo de futebol, esporte que não me apego tanto por vários motivos inclusive os que me levaram a escrever este texto.
Há uma semana que já pensava em cortar o cabelo, mas não o fiz por falta de tempo ou simplesmente por preguiça. Mas a situação começou a tornar-se insuportável. Os cremes para pentear já me estavam deixando com um capacete por sobre a cabeça. Mas decidi que depois das aulas iria cortar o cabelo. Missão quase impossível.  Pois apesar de ser dia útil meu cabeleireiro estava fechado, assim como toda a cidade, talvez o estado e não seria exagero dizer o país. Tudo isso devido a um jogo de futebol. Ópio do povo que faz tudo virar festa ou choro. Neste meu enredo que não estava tão bem enredado já que falhou, fui convidado por meus alunos a fazer parte de sua peça e deixar meus planos. Mas não poderia, planejei, tenho que cumprir.
Bem, não deixei de fazer uma mudança em minha cabeça neste dia. Tudo bem que não foi capilar, a mudança foi bem mais profunda. Larguei meus planos e resolvi embarcar nessa viajem com um grupo de pessoas mais jovens que eu. Não que me ache velho, mas já estou começando a parecer. O trabalho faz isso. Pois bem, curti um dia de ensino médio novamente, até pareci interessado por futebol e mesmo com o cabelo grande e preso pelo creme, levei as mãos à cabeça em lances perigosos. Me diverti como não fazia a tempos, assisti filmes e comi açúcar como sempre gostei, rodeados por pessoas que apesar de pouca idade e experiência sabem levar a vida muito bem.
Só cortei o cabelo no outro dia e decidi fazer algo diferente, algo do tipo Cristiano Ronaldo. Em uma tarde muito legal meus alunos me mostraram que ainda posso aproveitar a vida que tenho apesar das intempéries. Naquele dia assisti a uma peça à qual já fui personagem, vi cenas que já protagonizei.  E paradoxalmente aprendi que posso continuar a me divertir, apesar de ter que enfrentar uma sala dos professores, uma coordenação e turmas difíceis. Entendi que há, inocentemente, na mente de meus alunos uma busca por referências e não somente por conceitos. Posso ser o mesmo professor sisudo que adora a disciplina, mas agora posso entender um pouco mais que os planos podem ser mudados. E esse texto era para dizer que é impossível cortar o cabelo em dia de jogo da seleção na copa.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Férias ao coração


Espero que não me julguem covarde por abandonar mais essa paixão, posto que não é a primeira, mas talvez como a outra esta já faz parte do meu ser. Por vezes tentei parar de me iludir e seguir em frente em busca de um novo amor que fosse mais possível, menos difícil de se conquistar, no entanto parece que só procuramos o mais difícil sempre. Só quem já se apaixonou ao ponto de sentir que toda sua vida se resume a esse amor sabe do que estou falando. Somente quem já perdeu noites de sono e quando sonhava era só com ela, quem já deixou de se alimentar e quando comia pensava nela, quem se calava de amor, mas quando falava era somente sobre ela sabe o que sinto.


Essa paixão que queima me marcou diversas vezes, cicatrizes que não se apagarão jamais. Assim como a outra, que não considero menos importante por não ser a única, machucou muito, mas sempre acho conforto em seus braços, mesmo que nos sonhos, isso no caso da primeira, uma vez que é platônico, já a segunda pude viver intensamente. Por que então parar com esse amor se ele foi completo? Simplesmente porque o quero assim para sempre. Por este amor deixei de viver para o mundo e fiquei, por vezes sem amigos, pois os afastei para amar.

Não se confunda se falo de amor e paixão ao mesmo tempo, pois o amor não existiria sem paixão, quem ama se apaixona várias vezes pelo mesmo ser amado. Continuo apaixonado e amando as duas, mas sinto que tenho que me concentrar mais em mim, pelo menos por enquanto. Vou usar a saudade como alimento para esses amores. Pois ainda conquistarei a pessoa que amo e voltarei à minha bicicleta.

Fiat justitia et ruat caelum.


A incrível capacidade de raciocinar e articular nossos pensamentos é nossa preponderante diferença de nossos ancestrais chipanzés. Esta capacidade fez com que nossa espécie sobrevivesse a todas as pragas por nos propiciar a possibilidade de testar e memorizar procedimentos de recuperação. Uma vez li que inteligência não é apenas memorização, mas o processo conjunto de memorizar e acessar informações com rapidez e discernimento.


A indubitável credibilidade racional do ser humano o fez aprender, evolutivamente, que a vida poderá ser muito mais segura e furtiva se os indivíduos se organizarem em sociedade, onde cada um é responsável por uma determinada função. Desta forma o membro desta sociedade que não for participativo ou que for inadequado seria posto à margem, ou seja, fora do centro que articularia os pensamentos regentes da sociedade. A esta atitude correspondente a ética foi designado um tipo específico de pensamento, o censo comum.

Com o senso comum cada indivíduo passou a possuir a capacidade de orientar, guiar ou até mesmo julgar atitudes, próprias ou de seus próximos, com o intuito de manter a sociedade. Assim torna-se compreensível a reação pública diante de casos que comovem a nação. Nosso país acaba de passar por uma situação parecida. O povo se uniu para “auxiliar a justiça” a condenar um casal por infanticídio, crime contra os homens e contra Deus. A sociedade justa se mobilizou, apoiou a promotoria, vaiou a própria constituição que promove ao acusado a chance de defesa e mesmo que ninguém tenha visto o fato, afirmou veementemente a culpa do casal. E a justiça foi feita.

Magnífica! Foi a participação popular no caso. O homem tem a capacidade de ser justo. E a mídia foi fundamental. Fez coberturas fantásticas sobre o assunto, apresentou todas as evidências e deixou para nós, espectadores, a palavra final: culpados. Parabéns sociedade! Sinto-me orgulhoso, ainda mais pelo fato de que esse ano é ano de copa, quando o brasileiro sente-se mais brasileiro. Pena que essa euforia nacional não se faz tão presente na hora que o povo vai à urna.

Parece mágica, cadê o juiz dentro de cada um? Será que o brasileiro não tem a capacidade de correr atrás da justiça quando se julga seus “superiores”? Será que a fé na justiça e no Brasil desaparece? O povo deve se lembrar que ano eleitoral está mais para ano de apresentação de currículos. Somos nós que pagamos os seus salários e como tal eles nos devem prestar serviços, ou seja, podemos e devemos julgá-los e demiti-los por cuecas, meias, bolsas, pastas, bolsos, envelopes, contas na suíça e tudo mais que possa está recheado de nosso dinheiro. Cadê a justiça?

Julgamos bem os nossos semelhantes, mas a verdadeira escória fica de lado, não à margem. Eu gostaria que aqui se pregasse a lei islâmica, quanto a crimes, para eles o pior crime é o roubo, pois esse é o pai de todos os outros, e deve ser exemplarmente punido. Mas tudo bem, enquanto nenhum juiz condenar ninguém a perder a mão, vou comprar uma corneta para torcer pela minha seleção.

É ano de copa!

É ano de copa! É ano do Brasil! Não importa aonde formos não há fuga, vamos torcer pela seleção. Que o futebol é o esporte mais praticado no mundo não é novidade. Logo o fato de que existem mais países registrados na FIFA do que na ONU mostra que nosso país é tipo uma super potência. E isso é uma coisa para nos orgulharmos, porque nesse universo paralelo em que o planeta terra fosse plano, como antes de Colombo, e com traves nas extremidades o Brasil seria uma mistura de União Européia e Estados Unidos ao mesmo tempo.

Somos o país do futebol, acredita-se que todo brasileiro sabe jogar bola, ou pelo menos gosta de futebol. Mas a verdade é que somos um país tão popular que o fato de se tratar de um esporte assim fica evidente forçar-se tanto a barra. Ser popular não é tão ruim, afinal isso atrai turistas e seu dólares, euros, ienes, etc. E o futebol também não, ele acompanhou o país em momentos importantes como na primeira copa conquistada em 1958, mesmo momento da construção de Brasília; em 1970 durante a ditadura amenizou o sofrimento e orgulhou muita gente; em 1994, ano do tetra, o país em uma virada econômica fantástica com o plano real. Também devo citar que na América do sul, uma histórica rivalidade política também se reflete nesse esporte.

Mas o que então? Será que o Brasil só é futebol? E quanto aos outros talentos brasileiros em outros esportes? Hora ou outra se ouve falar de vôlei, basquete, formula 1, natação, atletismo, iatismo, patinação, raramente ciclismo e outros esportes. No entanto parece que todos estes são inferiores quanto à grandiosidade do futebol. Não obstante este esporte acaba sendo entendido por ópio do povo, expressão combatida por Roberto da Mata. Talvez esta fama se faça pelo fato de que o futebol já se encontra presente no imaginário nacional e isso se reflete em sua identidade.

O que torna esse esporte tão popular pode ser o fato de que é fácil, são poucas as regras, barato e envolve muitas pessoas. Isso anima as pessoas, cria um sentimento explosivo e essa paixão já motivou muitos cronistas como Nelson Rodrigues, João Saldanha e Armando Nogueira. De fato outros esportes acabam perdendo força e principalmente patrocínio. É o caso do ciclismo. Poucos são capazes de se manter neste esporte, caro e complicado. Aos poucos que ficam, lutam e se arriscam ficam as dívidas de peças caras e quase descaráveis.

Em vários países da Europa o ciclismo é um esporte muito praticado e incentivado, isso acaba tornando-o mais acessível. Aqui no Brasil vemos equipes se montando, ganhando corridas importantes, mas não são capazes de representar as nossas cores lá fora. Isso faz que mesmo com tamanha falta de estímulo se reconheça que este esporte sobreviva devido à paixão de seus atletas. Estes que treinam quase sem condições para enfrentar a difícil tarefa de permanecer no esporte.

Mas façamos uma prece, pratiquemos nossas mandingas, oremos, jejuemos e vamos lá, pois o ano é de copa e a nossa seleção só precisa da nossa força. Deixemos os patrocinadores cuidarem das contas, já que estaremos tão dopados que seu marketing nos fará comprar seus produtos. Não há problema nisso, a verba será muito bem aproveitada na pobre África do Sul.

Crônica monstruosa


O que seria de um monstro se não houvesse a beleza? Questão fácil de responder, o monstro não existiria e isso é óbvio; peço desculpas a quem ler por tamanha estupidez. Mas imagine que sem a beleza o monstro seria comum, ninguém teria medo dele, então, como seria sua vida? Provavelmente um monstro é forte, e poderia achar um bom emprego de segurança, ou mesmo de ajudante de alguma coisa, desde que seja necessária a força. Contudo acredito, lá no meu íntimo, que um monstro não goste de trabalhar, que ser monstro não é necessariamente uma profissão, mas deve ser uma forma de definição, de identidade. Um monstro está presente dentro de um grupo, ele não deve existir sozinho dentro de uma espécie, então essa espécie deve ter uma característica em comum, por se tratar de monstros deve ser a beleza.


Acho interessante pensar nisso, pois vários grupos agem assim; são classificados não por características que possuem, mas sim por aquelas que não lhe fazem presentes. Os pobres, por exemplo, são todos aqueles que não têm muito dinheiro, mas nesse caso pode se ter pouco ou nenhum, diferentemente dos monstros. Estes não devem ter nenhuma beleza, seja ela interior ou exterior. Devem ser feios. Não podem se dar ao luxo de ter sequer um dente são, um palmo de pele sem verrugas ou nem mesmo falar uma palavra educada.

Estas criaturas devem ser frias, grosseiras; devem ter chulé e não podem escovar os dentes. Não seria um monstro se não fosse ladrões, assassinos, destruidores da natureza. Um monstro deve ser cruel, bater na mãe, falar mal de todo mundo e ser cem por cento mal caráter. Não seria se nunca tiver deixado algum tipo de gosma no chão... Afinal não pode existir monstro que conjugue com beleza de alguma forma. No entanto o monstro não pode viver sem a beleza, mas lá dentro ele deve admirá-la do seu jeito. Todo monstro deve apreciar de forma monstruosa a beleza.

Então, finalmente chego a uma conclusão, sem a beleza um monstro não existiria, isso faz com que o monstro goste da beleza e talvez até perca algum tempo a observando, antes de destruí-la de alguma forma, é claro. Pois um monstro não deve ter uma só boa qualidade, eles devem ser totalmente feios, porque se tiverem só uma coisa de boa ele será um ser humano.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


A vida é um hospital onde cada doente está possuído pelo desejo de mudar de cama


Charles Baudelaire